Ler e escrever: e agora o que fazer?
Quando temos que escrever algo, às vezes é motivo de desespero. Parece que é a pior tortura quando estamos diante de um papel em branco e com a caneta ou o lápis na mão. Você precisa escrever e procura as palavras como se elas ficassem sempre guardadas numa caixinha que fica na gaveta. Mas sempre quando senta para escrever e que pega a caixinha de palavras e abre para começar com alguma palavra... Elas fogem todas como se fossemos machucá-las colocando as no papel. Elas desaparecem e te deixam perdida sem saber o que fazer.
Eu me sentia assim quando começei fazer a disciplia de Oficina de Leitura e Escrita. Eu me desesperava, gritava dentro de mim, procurando as palavras que ainda insistiam em fugir. Mas hoje, acho que elas fugiam porque eu não sabia cativá-las.
Contarei um pouco de minha história como aluna dessa disciplina para entenderes melhor o que falo nesse texto. Quando começei fazer pedagogia, eu realmente não gostava. Acho importante dizer que eu fiz pedagogia porque minha mãe insistiu que fizesse. Eu não queria ser professora. Não queria nada que se relacionasse à educação. E então quando me deparei com OLE me desesperei. A princípio, confesso, não gostava da professora! Eu via a Professora Dina falando, falando e falando com tanto intusiasmo que eu fiquei com os dois pés atrás. Achava tudo aquilo muito chato. As primeiras aulas eu só falava o quanto detestava tudo aquilo. E na hora que a professora pedia para escrever? Era a hora da briga com as palavras.
Me lembro do primeiro texto que tive que escrever. Não saía nada. Eu nervosa porque tinha que escrever. Mas no entanto, depois das 5 primeiras aulas, começei a gostar da disciplina. Mas ainda assim, não dava o braço à torcer!
O primeiro texto que escrevi foi sobre "a importancia do nome próprio para quem nomeia e para quem é nomeado". Eu fui em um evento, (também o primeiro que assitia) em que esteve presente o Professor Fernando Bárcena de Madrid. Ele falava sobre seu livro "O delírio das palavras" e depois daquele evento fiquei pensando muito. Estava indo para casa e pensando sobre tudo aquilo e sobre a proposta do texto que tinha que escrever. Então eu conversando com minha mãe eu disse "Meu nome não tem significado, porque EU sou o significado do meu nome" e a partir daí quando cheguei em casa, imediatamente consegui escrever um texto! Eu me surpreendi, porque tinha tantas palavras dentro de mim que eu "delirava" e escrevia sem me preocupar se estariam certo ou errado. Apenas escrevi. E então a partir disso, me apaixonei pela disciplina. Me encantei pela professora, porque ela me fez ver o que eu não conseguia ver. Porque me fez pensar, porque me fez, sobretudo, escrever.
Sempre foi meu sonho escrever, mas sonhava tanto porque não conseguia escrever. Foi OLE, dentre outras disciplinas, que me fez realizar um sonho. O sonho de escrever. Ler e escrever é ainda para mim, muito difícil, mas às vezes depende de nós mesmo para dar-lhes sentido. Ler não signica apenas "ler", ler a palavra porque 'aprendemos" a ler. Ler, para nós, estudantes de pedagogia, é mais do que isso. Ler é ver através das palavras, assim como vemos através dos olhos. Precisamos nos abster de qualquer pensamento ou "verdade" que tivemos até hoje. Não que vamos jogar ao vento nossos pensamentos, o que aprendemos, mas para que possamos ler a ponto de querermos escrever, precisamos estar "incertos", sem a certeza de que o que sabiamos era verdade. Para então através da leitura questionarmos o que já sabiamos e o que estamos aprendendo e aí em nossa cabeça aparecerá outros pensamentos. Não existe receita para se seguir, nem maneira certa... Aprender a ler e escrever depende de cada um. É algo mais do que individual, é pessoal. Aprender a ler é exercício e (acho eu) que escrever é o resultado do exercício com a nossa ideia, com o nosso pensamento, com as nossas palavras, com a nossa autoria!
Jaiane Rodrigues de Oliveira